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Um grande abraço e sucesso a todos
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| Investir em ações para os filhos é recomendação comum entre os consultores financeiros. Ação é um investimento que costuma ter sucesso para aplicações de longo prazo, insistem os analistas, e tudo o que seu filho tem é o tempo a favor dele. Por isso, crianças e mercado de ações tendem a ser uma combinação rentável, mas não só pelos ganhos com a alta do mercado ou com o pagamento de dividendos das empresas. |
| Veja, por exemplo, o caso deste leitor: “Meu filho de dois anos tem em sua carteira apenas cinco papéis (Gerdau, Petrobras, Sadia, Bradesco e Marcopolo)”, diz. Antes que o filho completasse seu primeiro ano de vida, o leitor já havia aberto uma conta nem uma corretora com aplicação inicial de R$ 1 mil. Desde então, tem feito aplicações mensais de R$ 200 para distribuir nesta carteira. “Algumas vezes, imagino qual será o patrimônio dele com estas aplicações no longo prazo em ações, acredito que ele poderá ser quase um milionário com uns 20 anos”, prevê o leitor. Mas ele tem medo da influência que este dinheiro possa ter na formação do filho. |
| Aos 18 anos de idade, se a carteira tiver acumulado um rendimento médio de 8% ao ano, o menino sairá da adolescência com cerca de R$ 80 mil no bolso (os cálculos são do Valor Data). Mas se o ganho médio anual chegar a 12% (muito agressivo), os recursos vão somar quase R$ 120 mil. Sem dúvida um bom patrimônio para iniciar a vida adulta, mas longe de ser um milionário. |
| E, mesmo que chegasse a R$ 1 milhão, vale lembrar que esta será uma geração que não poderá cometer muitos erros com o dinheiro, pois vai viver muito, num mundo de poucos empregos e sem previdência oficial. Ou seja, mais importante do que construir essa reserva financeira para o filho, será ensiná-lo a manusear esses recursos. Caso contrário, você corre o risco de ver o trabalho de quase 20 anos ir simplesmente por água abaixo. |
| Afinal, aos 18 anos, prestes a ingressar na faculdade, seu filho pode olhar para essa pequena fortuna e planejar comprar um carro e morar sozinho, dois ralos que têm potencial para tragar os recursos em pouquíssimo tempo. |
| Assim, tão interessante quanto começar a comprar ações para seu filho é aproveitar esse investimento como um instrumento de educação financeira ao longo dos anos. O mercado de ações também é excelente nesse aspecto. Mostre ao seu filho as empresas das quais ele é sócio. |
| O que fazem essas empresas, como elas contribuem para a economia? Procure ter em carteira ações de empresas socialmente responsáveis, ou seja, que tenham uma política de relacionamento com o meio ambiente, com a comunidade e com seus funcionários. E também que seja uma empresa que tenha um sistema de governança corporativa. Esses são aspectos fundamentais, inclusive porque em investimentos de longuíssimo prazo, como é o caso das aplicações para seus filhos, eles funcionam como uma espécie de “hedge” (proteção) de que a empresa não vai desaparecer ao longo dos anos ou que o controlador da empresa (sócio do seu filho) não vai usar de artimanhas para tirar valor de suas ações. |
| Seu filho vai crescer se acostumando a ler notícias de jornais e ver quais os impactos em suas carteiras de investimento e vai se tornar um adulto bem informado e atento às questões do país e do mundo. Recentemente, numa entrevista ao “The Wall Street Journal”, Charles Schwab, dono de um bem-sucedido negócio de venda de produtos de investimento ao varejo, disse que uma das melhores medidas do governo americano tomadas nos últimos tempos foi estabelecer o registro automático de trabalhadores aos fundos 401K (uma espécie de PGBL dos americanos). |
| Essa medida, disse Schawb na entrevista, vai fazer com que uma nova geração, na faixa etária de 20 a 25 anos, se torne investidora. Seu otimismo vai além dos benefícios que a medida vai trazer para os seus próprios negócios. Ele diz que mais investidores significará cidadãos bem informados que passam a deter uma participação na engrenagem econômica do país. Para Schwab, uma pessoa passa a ser um cidadão melhor quando sabe que será pessoalmente beneficiada com o sucesso do país e das empresas. |
| Mara Luquet é editora da revista ValorInveste e autora do livro O Assunto é Dinheiro, escrito em parceria com o jornalista Carlos Alberto Sardenberg |
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